Casos de trabalho análogo à escravidão foram identificados em diferentes regiões de Minas Gerais, incluindo Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesta terça-feira (7), 36 empregadores do estado foram incluídos na chamada “lista suja” do governo federal.
Em Igarapé, dois trabalhadores foram resgatados em um sítio durante ação de fiscalização. As condições encontradas não foram detalhadas, mas o caso integra o conjunto de ocorrências recentes registradas no estado.
Na capital mineira, duas mulheres foram encontradas trabalhando como domésticas em condições semelhantes à escravidão nos bairros Lourdes e Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a fiscalização, as vítimas estavam submetidas a situações degradantes e sem garantia de direitos básicos.
Outras ações também ocorreram no interior. Em Tapiraí, no Centro-Oeste de Minas, 41 pessoas foram encontradas em situação degradante em uma plantação de cebolas na fazenda Olho do Sol.
De acordo com o relatório da fiscalização, o cenário chamou atenção pela precariedade. “Não havia qualquer área sombreada, apenas terra e poeira, sob sol escaldante. Os trabalhadores não utilizavam equipamentos de proteção individual”, aponta o documento.
Já em Patrocínio, no Triângulo Mineiro, três trabalhadores relataram irregularidades em uma plantação de café na fazenda Vista Alegre.
A “lista suja” do trabalho escravo é atualizada a cada seis meses pelo governo federal e reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Com a nova atualização, Minas Gerais segue liderando o ranking nacional, com 122 nomes incluídos.
Nos últimos dois anos, mais de mil trabalhadores foram resgatados em todo o estado.
Nesta quarta-feira (8), o superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, entregou a atualização ao procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais, Max Emiliano da Silva Sena.
Calazans destacou a gravidade da situação. “São crimes e precisam ser julgados como crimes. Se fosse um só trabalhador resgatado já seria uma indignidade. Pensar em mil em dois anos, praticamente um a cada dia, é algo inimaginável”, afirmou.
Segundo Sena, o Ministério Público do Trabalho irá adotar medidas legais contra os responsáveis, incluindo termos de ajuste de conduta e ações civis públicas, além da cobrança de direitos trabalhistas devidos às vítimas.