sexta-feira, outubro 22, 2021
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Variante P1 da covid-19 que surgiu em Manaus é identificada em Betim

A presença da variante P1 do coronavírus, que surgiu em Manaus, foi identificada em residentes de Betim internados na rede pública de saúde, por meio de pesquisa científica realizada pela Prefeitura de Betim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Onze amostras foram colhidas em março e, destas, sete estavam com carga viral adequada para a realização do sequenciamento – em todas elas foi identificada da P1. Duas outras amostras ainda estão em análise e as demais foram descartadas por não conterem quantidade de vírus suficiente para a realização do exame.

 De acordo com o professor e pesquisador da UFMG, Renan Pedra, a predominância dessa cepa nas amostras colhidas não é uma ocorrência exclusiva em Betim, mas no país como um todo. “Isso não quer dizer que não possa haver outras variantes circulando no município. Estudos vêm constatando que o grau de transmissão dessa cepa é muito alto e, por isso, onde ela chega, se torna dominante”, esclarece.

Perfil dos participantes da pesquisa

A coordenadora da pesquisa, Ana Valesca Fernandes, explica que foram coletadas amostras de pessoas com idade entre 20 e 30 anos e entre 40 e 50 anos, de diferentes regiões de Betim, que precisaram ser atendidos em função do agravamento da covid-19. “Os sintomas da doença tiveram início na primeira quinzena de março, coincidindo com o aumento do número de casos e de óbitos em Betim. De modo geral, tiveram tosse, febre e dor de garganta. Alguns também tiveram diarreia”, informa.

 Ana Valesca destaca que dois dos casos foram de trabalhadores da saúde, sendo que um deles foi por reinfecção pela P1. Ela afirma que está confirmada a circulação dessa cepa em Betim, por isso é necessário monitorar e rastrear sua expansão e, também, o surgimento de outras variantes.

 Ana Valesca ressalta ainda a importância de se manter as medidas de prevenção ao contágio do vírus, inclusive pelas pessoas que já foram vacinadas, pois o ciclo de imunização se completa dentro de 30 dias após a segunda dose. “Como nesse momento a vacina disponível é a AstraZeneca, que exige um intervalo de três meses entre a primeira e a segunda dose, é imprescindível a colaboração das pessoas para prevenirmos a disseminação da covid-19”.

 Ana informa ainda que, como o aumento de casos continua em Betim e a população ainda está suscetível de ser infectada pelo coronavírus, as análises continuarão sendo feitas, a fim de se verificar a possibilidade de circulação de outras variantes.

 Características da P1

A capacidade maior de entrar nas células humanas favorece a multiplicação do vírus no corpo e, em consequência, a produção de uma carga viral maior no indivíduo infectado, aumentando o risco de agravamento da covid-19 e de transmissão do vírus.

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