A Polícia Civil de Minas Gerais investiga um homem suspeito de se passar por ex-jogador de futebol para encaminhar meninos e adolescentes para testes em grandes clubes brasileiros. Uma família de São Joaquim de Bicas é uma das vítimas. O pai do jovem de 16 anos depositou R$ 1,5 mil para o suspeito.

A história começou quando Anderson Nunes, que é motorista de transporte por aplicativo, carregou o homem suspeito. Durante uma conversa, este suspeito disse que era ex-jogador de vários times brasileiros como Santos, Botafogo, Paraná, Ipatinga, e ainda clubes internacionais, como o ucraniano Shakhtar Donetsk e o holandês PSV.

Ainda nesta viagem, o Anderson disse que o homem que se identificou como Bill disse que também trabalhava com jovens e que poderia conseguir teste para o sobrinho dele em qualquer um dos clubes nos quais já havia jogado.

Cerca de uma semana depois, Bill mandou mensagem confirmando que havia conseguido um teste para Vinícius, de 16 anos, no Botafogo. Mas, para conseguir marcar a avaliação, Bill cobrou R$ 1,5 mil para custeio de despesas.

Comprovante de depósito da família de Vinícius para suspeito de estelionato em futebol — Foto: Reprodução/TV Globo

O pai de Vinícius, Edmar Nunes, ficou entusiasmado com a possibilidade de o filho jogar em um grande clube e se sacrificou para conseguir o dinheiro. No comprovante do depósito, aparece o nome de Denis Vieira da Silva.

E para ganhar a confiança da família, Bill mandava mensagens com informações sobre jogos beneficentes que dizia ter organizado. Mas o contato foi ficando cada vez mais difícil e a desconfiança foi aumentando.

A reportagem tentou contato pelos números que Bill passou para a família, mas as chamadas caíram na caixa postal.

Vinícius mora com a mãe em São Joaquim de Bicas e continua treinando em um clube da cidade, mas depois dessa confusão ele não quer mais falar sobre o assunto.

De acordo com o diretor das categorias de base do Atlético-MG, testes confiáveis em times profissionais nunca têm taxas de cobranças antecipadas. “Hoje, um clube sério, um clube que tenha um respeito pelo trabalho, nunca se cobra. Nunca se cobra por avaliação. Então, se alguém está cobrando para levar o teu filho, o teu atleta, para uma avaliação, algo tem de errado”, explicou Júnior Chavare.

Fonte: G1